No sábado eu ainda tinha outro encontro com a Iris. Ela disse que me ligaria no meio da semana e nao ligou, mas segundo a Claudia, se um horário é estabelecido na Alemanha, nao precisa ligar confirmando. E para que todas as pragas da Claudia nao caíssem sobre minha cabeca, resolvi ir assim mesmo. E minha vontade de ir era tanta que acabei me distraindo olhando alguns e-mails e perdi a hora. Depois de uns 15 minutos de atraso resolvi ligar pra ela e perguntar se eu ainda deveria ir. E qual nao foi minha surpresa quando ela disse:
- Ah… nao, meu marido nao está aqui e a au-pair canadense que tinhamos contatado deve vir mesmo.
Fiquei feliz, é claro. Nada pior que uma manha na casa da Iris pra estragar o dia da gente. Mais tarde descobri que ela tinha me mandado um e-mail avisando pra eu nao ir. Mas foi tao em cima da hora que nao deu tempo de ver antes de sair de casa. E olha que eu perdi a hora com isso. Acho que ela queria se vingar de todos os meus atrasos e bolou isso. Que bom que nao deu certo.
Fiquei perambulando um pouco pela cidade, respondi alguns e-mails. E descobri que nao aguentava mais falar com a familia de perto da Suica. Se antes de conhece-los já estava assim, imagina morando com eles?? E entao caiu a ficha de que a família que eu tinha visitado no dia anterior se encaixava perfeitamente nos meus objetivos e que eu nao precisava esperar até segunda-feira pra ligar pra eles. E foi o que eu fiz ao chegar na casa da Mathilde.
Peguei o telefone e já senti o conhecido frio na barriga, mas de forma tao intensa que pensei que fosse passar mal. Eu tinha feito minha decisao e agora tudo que eu queria era que eles me aceitassem apesar de tudo que a Erika certamente tinha falado pra eles. Acho que minha mao estava tremendo quando disquei o número e minha voz a acompanhou quando comecei a conversar com a Marion. Falei pra ela que já tinha conversado com algumas outras famílias, mas que tinha gostado muito da família dela e me decidido por ela.
- Fico feliz em ouvir isso, Carol. Mas ontem eu conversei com a Erika e ela me disse coisas muito ruins de você – prendi a respiracao para ouvir o que vinha em seguida. – mas eu acho que tudo tem dois lados e queria ouvir também o que você tem a dizer.
Nao falei muito, até porque estava nervosa demais pra isso. Nao falei mal da Erika também, porque eu nao preciso descer a esse nível. Mas expliquei que achava que foi muito cedo para a Erika ter tomado a decisao de me mandar embora e que o comeco era sempre mais difícil por serem tantas coisas diferentes em que prestar atencao.
Ela concordou comigo e disse que a Erika nunca tinha tido uma au-pair antes e que a primeira experiência também é mais difícil. E que ela conhecia a filha da Erika e ela nao era muito espontânea. E que ela tinha gostado muito de como eu conversei com o filho dela, quando os visitei.
- Entao você acha que pode dar certo?
- Sim! Eu acho que pode dar certo!
E combinamos que eu poderia mudar pra lá já na segunda feira.
E depois de desligar o telefone nao estava só respirando aliviada, mas pulando de alegria. E cheguei na cozinha abracando a Mathilde, na verdade quase dancei com ela ali. E estava realmente muito feliz. Parecia que finalmente esse pesadelo ia acabar. E eu nao vou dizer aqui que “somente parecia” ou qualquer coisa assim, como no suspense dos outros posts. Mas vou deixar terminar nessa sensacao de felicidade que eu estava sentindo na hora. Ainda que ela tenha durado tao pouco.
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Brincadeira, brincadeira…. Desculpem, nao resisti! =D
Quem falou das batatas