Leia a Parte III aqui
Prezzo massimo della camera 207: 120 €
Prezzi per persona e giorno con buffet di prima colazione
Li duas ou três vezes, antes de ter certeza do que estava escrito. Até recorri ao meu manual de italiano, mas não era tão necessário para entender o que estava escrito ali. Já tinha visto alguns hotéis colocarem o preço na porta dos quartos, mas o preço afixado costumava coincidir com o que era realmente pago pelo quarto. Naquele caso, o preço afixado era 12 vezes mais alto do que eu teoricamente pagaria. E depois de já ter assinado o termo de compromisso contendo o número do quarto e de noites, o que segundo a moca da recepcao seria praxe do hotel, depois de ter deixado um documento pessoal como “garantia”, até que eu fizesse check-out, depois de já estar relativamente instalada no quarto que por sinal era o mesmo do Brédi é que fui me dar conta de que ela não tinha me dado nenhum comprovante, nenhuma conta, nada que comprovasse o preço que ela disse que eu pagaria. Como eu não tinha reserva, não tinha também nada que confirmasse o valor que eu tinha conseguido pelo site. Isso somado à história do hotel inexistente e à facilidade com que o preço abaixou só de mencionar o preço da internet gerava supeitas preocupantes. Antes de começar a viagem, tinha lido algumas histórias de turistas que não eram nada convidativas. Histórias de pessoas que foram a restaurantes que cobraram taxas absurdas, inexistentes no cardápio. Caso os clientes se recusassem a pagar ou reclamasse da conta, o garçom trazia dois seguranças no melhor estilo lutador de jiu-jitsu, que sugeriam sutilmente que era melhor o cliente pagar sem reclamar. E fiquei imaginando se isso seria o caso daquele hotel. Não tinha a menor idéia do que eles poderiam fazer caso eu me recusasse a pagar. E não era tao divertido ficar imaginando isso. Comecei automaticamente a pensar em todas as rotas de fuga possíveis caso eu precisasse fugir – provavelmente um resquício da minha época de polícia. Já começava a gerar planos mirabolantes e provavelmente a falar sozinha quando ouvi uma voz atrás de mim. Me preparei para virar depressa e sair correndo gritando uma daquelas coisas que a gente só ouve em filmes do sbt: “Você não vai me pegar com vida!”, mas me lembrei de que o Brédi ainda estava lá. E consegui me recompor da síndrome 007 a tempo de responder sem que ele achasse que eu estou louca. O que seria pior do que não escapar com vida. E além de constatar que eu preciso rever minhas prioridades, percebi que ele ficou preocupado quando viu o papel, ainda que não quisesse deixar transparecer.
- Estranho, não?
- O que você acha que pode ser isso?
- Sei lá… Mas eu diria que esse hotel não parece ser nenhuma instituição de caridade.
- Parece ser fachada…
- O que a gente faz? Avisa a polícia?
- E se a polícia for cúmplice?
- Avisa o consulado alemão? – a cena do 007 com o homem sendo perseguido dentro da embaixada não saía da minha cabeça. (não, eu não assisto só Amélie Poulain)
- Nem sei se aqui tem consulado… Grande a cidade não é. E não sei em que isso ajudaria também. Até onde eu sei, aqui ainda é União Européia.
- Você leu alguma coisa sobre esse hotel na internet?
- Pouca coisa. Parecia bom. Barato de qualquer forma.
- E você fez reserva?
- Não. Até tentei, mas as reservas pela internet estavam bloqueadas.
- Então você também não tem um comprovante do preço? – começava a ficar mais preocupada.
- Não.
- Você acha que a gente deve perguntar na recepção, qual é o preço de verdade?
- Não sei se isso ajudaria em alguma coisa…
- O que a gente faz então?
- Quer dar uma volta?
E assim, feliz por ter uma companhia (e que companhia, diga-se de passagem) pra passear na cidade, saímos do hotel fantasma e deixamos as preocupações de lado. Ainda que não por muito tempo.
Continua…
Quem falou das batatas