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	<title>Enquanto isso, na terra da batata...</title>
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		<title>Mudando de casa</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 02:01:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Aff, essa vida de blogueira...]]></category>
		<category><![CDATA[Letras demais pro meu gosto...]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de mais de um ano, resolvi que minha temporada neste blog deveria chegar ao fim. Foram muitas as emoções aqui vividas. Todas as batatas, cuidadosamente preparadas e saboreadas deram um tempero especial à minha estadia na Alemanha e coloriram minha história, às vezes trágica, de uma forma que eu jamais conseguiria com nenhum outro tubérculo. Vocês acompanharam cada aventura [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=710&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Depois de mais de um ano, resolvi que minha temporada neste blog deveria chegar ao fim. Foram muitas as emoções aqui vividas. Todas as batatas, cuidadosamente preparadas e saboreadas deram um tempero especial à minha estadia na Alemanha e coloriram minha história, às vezes trágica, de uma forma que eu jamais conseguiria com nenhum outro tubérculo. Vocês acompanharam cada aventura por essas terras geladas, foram companheiros e amigos e o mais importante, foram leitores. Foi para vocês que escrevi cada um desses posts. Todas as minhas vivências metamorfoseadas em linhas, ainda que tortuosas, foram escritas para que os seus olhos se fixassem nelas. Vocês, conhecidos e desconhecidos, estiveram comigo em cada dia que eu vivi na terra da batata. Em todos os meus dissabores e alegrias vocês estavam lá presentes, me dando forças para seguir em frente, me fazendo desejar ardentemente aqueles momentos em que eu me sentava à frente do computador e copulava com o teclado, produzindo tão saborosos frutos. Mas agora eu já não estou na terra da batata. O último post foi a última aventura vivida antes de chegar ao Brasil. E já não tem mais sentido continuar na Terra da Batata quando na verdade eu estou na Terra do Café. Não tem mais sentido o nome carolindeutschland quando a Carol não está mais in Deutschland. E me pergunto se faz realmente sentido continuar tendo um blog se eu posso contar as histórias pessoalmente&#8230;</div>
<p>E a única respota plausível a que cheguei, provavelmente a decisão mais sensata que já tomei nos últimos meses e a única alternativa possível diante das circunstâncias foi a certeza de que a mudança de país não fez com que eu mudasse de idéia sobre coisas que já são parte da minha personalidade. Mudar de país não fez com que eu deixasse de gostar de algo que já se tornou uma paixão maior do que qualquer paixão que eu já tenha experimentado, capaz de até modificá-las e exaltá-las e destruí-las em uma palavra.  Por outro lado, comecei a questionar os instrumentos que usava para fazê-lo. Tudo tão limitado e restrito que eu me sentia cárcere do meu próprio mundo. Eu não queria só mudar de país, eu queria um lugar só meu, onde eu pudesse receber os amigos, conhecidos, desconhecidos e até inimigos, sem distinção de classe e cor. Eu queria poder colocar móveis e arrastar cadeiras e pintar as paredes e encher de almofadas da cor que eu quisesse. E que fosse tão confortável e bonito pra mim quanto para qualquer um que lá entrasse. Não queria jogar nada fora. Queria um lugar que transbordasse lembranças e sentimentos. Queria guardar todas as lembranças e  as cartas e bilhetes e fotos e mostrá-las para quem chegasse. E que pudéssemos viver juntos muito mais aventuras do que já vivemos e relembrar as histórias antigas entre lágrimas incontíveis e risos incontroláveis. Queria ter a casa cheia de todos que quisessem entrar, vivendo-a, junto comigo, ajudando a construi-la. Queria que todos estivessem lá e fizessem parte da minha vida, da minha história. E espero, sinceramente, que você também faça.</p>
<p>E é por isso que, com todo o orgulho de uma mãe que depois de nove meses carrega o filho em seu braços, que eu &#8211; embora não tenha esperado tanto tempo &#8211; te convido a conhecer a minha mais nova casa:</p>
<h5 style="text-align:center;"><strong><span style="color:#3366ff;"><a href="http://caroldeviterbo.blogspot.com" target="_self">http://caroldeviterbo.blogspot.com</a><br />
</span><br />
</strong></h5>
<p><em>Entre sem bater na porta.<br />
Se aprochegue e fique juntinho.<br />
Mas trate com carinho.<br />
Fui eu que fiz.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/carolindeutschland.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/carolindeutschland.wordpress.com/710/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=710&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Jornada para casa</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 17:31:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carol</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pelo mundo adentro]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não tinha lugar na janela. Não era tão ruim assim, porque a viagem era à noite e não daria para ver paisagens de qualquer forma. O problema é que a janela sempre ajuda no meu sono. Mas ali, no meio do avião, com gente passando o tempo todo ao meu lado, não conseguiria dormir. E resolvi usar as opções disponíveis. Os filmes. Como na viagem de ida, tinha muitas opções. Metade deles eu já tinha visto, outros não eram do meu tipo, mas ainda sobravam uns quatro que eu poderia assistir. E eu assisti. Todos. Ou quase. Até tentei dormir no intervalo entre um e outro. Mas não era exatamente possível, sem o apoio reconfortante da janela. Os dois bancos ao lado estavam vazios e eu e o passageiro na outra ponta firmamos um acordo tácito, que dividia explicitamente os bancos desocupados entre os dois ocupantes: do braço da poltrona pra cá era o meu território e do braço pra lá, o dele.  Ele se enroscou como pôde já depois do primeiro filme. Pernas pra lá, cobertor, travesseiro e parecia satisfeito com o espaço inesperado. Eu tentei me esticar, me encolher, caber de alguma forma confortável nas duas poltronas. Mas ainda que eu tivesse mais espaço que de costume, estava longe de dormir a sono solto como o companheiro ao lado. Eu virava pra um lado e pro outro, tentava todas as posições possíveis nos centímetros de mobilidade que me restavam, tentava todas as técnicas conhecidas e inventadas, mas o máximo que eu conseguia era descansar um pouco os olhos para assistir o próximo filme. E assim foi até que acabaram os filmes. Eu já tinha assistido três. E como ainda não conseguia dormir, tive que apelar pra uma série de tv. Eu já conhecia The Big Bang Theory, mas até o momento só tinha assistido em inglês. E por mais que eu finja saber inglês, tenho que adimitir que quando a gente entende a piada fica muito mais engraçado. E foi nesse momento que me tornei fã incondicional dessa série. Mas era só um episódio e não resolvia o meu problema de insônia e de falta do que fazer nas próximas horas de vôo. E eu não queria jogar paciência ou ouvir música. Passei a lista de filmes novamente, tentando selecionar um mais assistível que os outros ou um bom o suficiente para ser assistido novamente. Foi quando um me chamou a atenção: Star Trek. Eu não conhecia. Era na verdade o tipo de coisa de que ele gostava e eu normalmente não chegava perto. Ou até chegava. Não posso também bancar a metida-que-acha-que-isso-é-coisa-de-homem-que-não-teve-infância, porque não é verdade. Na verdade seria algo como o que eu chamo de síndrome Star Wars. Nunca assisti, então falo que não gosto. Eu devo ser a única pessoa no mundo que nunca assistiu Star Wars. E sempre que as conversas nostálgicas que me fazem sentir com 50 anos de idade desviam dos costumeiros Caverna do Dragão e Cavaleiro do Zodíaco &#8211; que eu adoro &#8211; para temas mais complexos como Star Wars, Jornada nas Estrelas e uma porção de nomes parecidos que sempre me confundem, tenho que ir ao banheiro às pressas ou inventar uma desculpa qualquer antes de ser crucificada por nunca ter assistido o tal filme. Ou os filmes, o que torna a coisa toda ainda pior. Se eu for assistir vou ter que ficar uma semana inteira só por conta. Sem saber por onde começar, com essa confusão cronológica que nem os fãs entendem, acabo não assistindo (mas se você leitor se identificou com o que eu escrevi e topar uma maratona de Star Wars &#8211; ou ainda que seja um só filme &#8211; pode me chamar que eu animo). Além disso, como recém-fã de The Big Bang Theory, me identificava incrivelmente com a Penny quando não entendia uma das piadas do universo nerd, que incluem todos os Star-flimes, séries, histórias em quadrinhos e qualquer outra coisa que tenha relação direta ou indireta com esses mundos.</p>
<p style="text-align:justify;">Isso tudo pra dizer que eu resolvi assistir Star Trek. O filme é realmente bom. Não é um filme de ação qualquer. Ele pertence a um universo próprio em que as coisas mais absurdas tornam-se possíveis. Tudo isso sem perder a carga de adrenalina inerente aos filmes de ação. E ainda pior. Nos filmes que meu irmão assiste, por exemplo, antes de você começar a assistir, já sabe que vai vencer o mocinho ou o bandido, caso ele seja o mocinho do filme, passando por muitas explosões, granadas, tiros e toda a tecnologia disponível da época. No Star Trek, é mais ou menos a mema coisa, com uma grande ênfase na tecnologia disponível. Mas a diferença é que você não tem muita certeza do que vai acontecer &#8211; ou pelo menos eu, que nunca tinha visto, não tinha. A trama se desenrola em uma linha de tempo alternativa que te leva a desejar não só saber o que vai acontecer, mas entender o que está acontecendo, o que aparentemente só é esclarecido no final, elevando as expectativas do filme a um expoente até então desconhecido pra mim. E foi em um desses momentos de adrenalina mais intensa que eu percebi que talvez não desse tempo de terminar o filme. E eu desejei muito que o vôo durasse algumas horas a mais, quando o James (e eu não consigo lembrar o sobrenome dele) se tornou capitão e eu tive que interromper o filme para assistir a uma programação obrigatória e inútil da Tam sobre os pontos turísticos de São Paulo. Comecei a ficar com raiva de ter assistido a série do Big Bang em vez de ter começado o filme antes. Mas refleti que se o Big Bang me ajudou a tomar a decisão de assistir Star Trek, não assistir à série geraria um paradoxo temporal, o que me levaria talvez  a não assistir Star Trek, criando um futuro desconhecido e alternativo que influenciaria inclusive o meu modo de vida agora, já que boa parte do meu tempo é dedicado à série. E achando que as últimas horas já tinham realidades alternativas suficientes pra uma vida inteira &#8211; ou mais, dependendo do ponto de vista-, resolvi só ficar com raiva da Tam mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">E você leitor que não entendeu lhufas deste post, não precisa se preocupar com minha sanidade mental. Essa foi só uma tentativa de ilustrar como eu estava quando cheguei ao aeroporto de São Paulo, sem dormir, sem terminar de ver o filme, despenteada e carregando todos os pacotes e bagagens de algumas horas atrás.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/carolindeutschland.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/carolindeutschland.wordpress.com/706/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=706&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A Chave da Liberdade</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 14:48:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carol</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com fome, cansada e com os músculos doloridos de peso, de stress. Era assim que eu estava na fila do controle. Ele ainda estava lá, há alguns metros, como eu tinha pedido. Fiquei com medo de que acontecesse como na minha primeira viagem, em que fiquei sozinha e totalmente perdida, sem o saquinho para líquidos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=702&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com fome, cansada e com os músculos doloridos de peso, de stress. Era assim que eu estava na fila do controle. Ele ainda estava lá, há alguns metros, como eu tinha pedido. Fiquei com medo de que acontecesse como na <a href="http://carolindeutschland.wordpress.com/2009/02/05/no-portao-de-embarque/">minha primeira viagem</a>, em que fiquei sozinha e totalmente perdida, sem o saquinho para líquidos. Dessa vez, com os saquinhos, o problema era a mala. Dentre as recomendações para bagagem de mão, está que a mala de mão deve medir no máximo 56 x 45 x 35 cm, para que coubesse nas caixas em que a gente coloca a bagagem de mão no controle. Eu tinha comprado a minha mala há pouco tempo, justamente para essa viagem e ao medi-la, descobri que tinha exatamente 56 cm de altura, talvez ainda um pouquinho mais. Fiquei com medo de que o controle fosse rigoroso o suficiente para me mandar despachar a mala por causa de meio centímetro. Mas eu descobri que a alça da mala era retirável e que as dimensões da mala diminuiam um pouco quando retirada. O problema é que eu precisava de uma chave de fenda para isso. E eu não podia embarcar com uma chave de fenda. Por isso pedi que ele levasse uma chave de fenda e ficasse com ela a postos para o caso de eu precisar de seus serviços. Isso tudo observando de longe, já que só podia entrar quem tivesse passagem. Como (ainda) não era o caso, ele esperou pacientemente até que eu estivesse do outro lado do controle. O que nós não sabíamos é que isso demoraria tanto tempo!</p>
<p>Ainda na fila eu já percebi que a chave de fenda só ia servir pra virar história no blog. Muitas malas, até maiores que a minha às vezes nem entravam na tal caixa e eles deixavam passar do mesmo jeito. Chegando minha vez, coloquei minha mala, que não coube 100%, mas passou, o saquinho com os líquidos separados, a mochila do notebook, o notebook separado, a &#8220;bolsa pequena de mão&#8221; que devia pesar uns 15 kg, o casaco, o moleton por baixo do casaco, o cinto e quase achei que ia precisar tirar a calça também, mas não chegou a tanto. Passei e o aparelho apitou. Agora tinha que tirar o sapato também, que foi pro raio-x, além de ser revistada. Depois de concluirem que eu não corria o risco de explodir o avião ao pisar mais forte, me deixaram passar. E fui lá juntar minhas coisas que saíam do raio-x. Estava tudo lá, menos a mochila. Comecei a olhar pros lados, vendo se alguém tinha pego &#8220;por engano&#8221;, mas não encontrei ninguém. Foi aí que uma mulher do controle me chamou. E disse que tinha encontrado uma irregularidade nela e que teríamos que abrir. Ela mostrou no raio-x a imagem de uma aparentemente inocente ferramenta de bicicleta, que poderia até ser confundida com uma régua escolar. Mas não foi. E não passou ilesa aos olhares peritos do pessoal do controle. Me perguntei por que diabos eu tinha colocado a tal ferramenta na bagagem de mão&#8230; E a resposta ficou clara quando abrimos a mochila. A bagunça só não era comparável à do meu quarto porque as dimensões da mochila não o permitiam. Mas era quase. A quantidade de coisas diferentes e absurdas que lá estavam deixavam claro que eu tinha terminado de &#8220;arrumar&#8221; as malas há algumas horas. E pela expressão da funcionária, ela também tinha percebido que encontrar a ferramenta perdida não seria tão fácil como ela supusera. Mas nem eu poderia imaginar que seria tão difícil. Depois de tatear e revirar todo o conteúdo da mochila, esbarrando em coisas como cadeados de bicicleta, lanternas, tomadas e roupas íntimas e causando ainda mais desordem em um sistema que já estava irremediavelmente perdido, a tal ferramenta não foi encontrada. Resolvemos mudar de método, a funcionária agora me ajudando a revirar o conteúdo e como ainda não desse resultado, começãmos a tirar coisas da mochila, tão descuidadosamente arrumada. Tiramos metade das coisas e tateamos novamente, incluindo bolsos externos, internos e compartimentos secretos e ainda não encontramos. Ela passou a mochila novamente pelo raio-x, para ver onde devíamos procurar a ferramenta assassina e vimos que ela ainda estava lá, a despeito da incessante procura. Nova tentativa, abrindo nécessaires, bolsas, estojos e tudo o que pudesse por ventura esconder o objeto do crime. Não encontramos.</p>
<p>Percebi pelos olhos da mulher, agora revelando todo seu desejo de desmascarar um terrorista de verdade, que encontrar a ferramenta perdida tornara-se uma questão de honra. E enquanto metade do meu ser preocupava-se em vigiar o resto da bagagem do outro lado e a outra metade se perguntava a que horas eles serviriam o jantar no avião, percebi que talvez até minhas esperanças no jantar poderiam ser frustradas. E ela, já com um quê de cão perdigueiro, só parou de farejar a mochila quando viu que eu já deveria ter embarcado há cerca de 40 minutos. E depois de considerar longamente as possibilidades de eu provocar um atentado terrorista usando uma chave de bicicleta, resolveu me liberar a contragosto. E eu parti, levando comigo a chave assassina e a permissão de liberdade. Pelo menos teoricamente.</p>
<p>Consegui embarcar a tempo, embora tenha sido uma das últimas pessoas a entrarem a bordo. Espremi a bagagem no compartimentoacima, no banco à frente, ao lado, no colo e onde mais foi possível. E depois de muitas horas de viagem, depois de chegar em casa e tirar toda a bagagem das malas, bolsas e mochilas, pude constatar, num misto de incredulidade e surpresa: A chave não estava lá.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/carolindeutschland.wordpress.com/702/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/carolindeutschland.wordpress.com/702/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=702&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ainda embarcando</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Feb 2010 21:20:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carol</dc:creator>
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		<category><![CDATA[excesso de bagagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Com o cartão de embarque nas mãos, fomos aproveitar os minutos que ainda nos restavam e tentar transformas os 50.000 pacotes da bagagem de mão em no máximo três. Teoricamente, eu só poderia embarcar com um de no máximo 5 kg. Mas eu sabia que o pessoal da tam &#8211; e de qualquer companhia aérea [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=carolindeutschland.wordpress.com&amp;blog=6654373&amp;post=699&amp;subd=carolindeutschland&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o cartão de embarque nas mãos, fomos aproveitar os minutos que ainda nos restavam e tentar transformas os 50.000 pacotes da bagagem de mão em no máximo três. Teoricamente, eu só poderia embarcar com um de no máximo 5 kg. Mas eu sabia que o pessoal da tam &#8211; e de qualquer companhia aérea &#8211; não controla a bagagem de mão. O item mais leve devia estar pesando uns 15 kg&#8230; Mas não pensem que eu sou assim de todo inconsequente. Eu já tinha ligado pra tam uns dias antes para verificar algumas questões da maior importância na arrumação das malas.</p>
<p>&#8211; Esse item de bagagem de mão&#8230; É só um item mesmo?</p>
<p>&#8211; A senhora pode embarcar com um item e um notebook.</p>
<p>&#8211; Ah, entendi&#8230; E tem problema se o notebook estiver em uma mochila?</p>
<p>&#8211; Não senhora.</p>
<p>&#8211; Nem se a mochila for um pouco grande?</p>
<p>&#8211; Não senhora.</p>
<p>&#8211; Ah, que bom. E se além da mala de mão e da mochila eu levar uma bolsa pequena, tem problema?</p>
<p>&#8211; Se for pequena não tem problema não.</p>
<p>&#8211; E se não for tão pequena assim?</p>
<p>&#8211; Então é melhor você conversar com o atendente do check-in.</p>
<p>&#8211; É porque além da mala, do notebook e da bolsa eu preciso levar uma pasta, entende?</p>
<p>&#8211; Sim, senhora. Conversa com o atendente do check-in no dia do embarque.</p>
<p>Resolvi nem perguntar dos dois casacos e da outra sacola. O homem já tava ficando nervoso. Mas eu sabia também que não adiantaria nada perguntar pro pessoal do check-in, ainda mais quando eles tinham lá uma placa dizendo que era proibido levar mais de um item como bagagem de mão. E eu sabia que o pessoal do controle estava mais preocupado em encontrar líquidos e explosivos do que em contar o número de itens ou pesar a bagagem. Mas depois de alguns passos com todas as minhas bugigangas, eu descobri que não era nada prático carregar tantos itens. E fui desmembrando as sacolas, colocando a pasta dentro da bolsa, enfiando chocolates onde era possível. No fim das contas acabei deixando um dos casacos pra trás.</p>
<p>Olhei no relógio e vi que nossa esperança de fazer um lanche antes do vôo já tinha entrado na lista de coisas que não foram feitas. Eu não tinha preparado nada pra essa despedida. Deixei tanta coisa com ele que nem deu tempo de pensar em um presente. Nem cartinha nem álbum de fotos nem nada que ele pudesse guardar de lembrança. Não sei se era necessário. Eu já estava deixando grande parte do que foi minha vida na Alemanha. ainda que ele achasse que tudo era lixo. Talvez eu não precisasse de nenhuma despedida tão pomposa. Porque afinal não seria pra sempre. Não seria o último beijo ou o último abraço. Se tudo desse certo, essa viagem seria apenas um breve período que passaríamos separados. Juntos, mas separados, apesar de todos os argumentos racionais e lógicos que diziam exatamente o contrário.</p>
<p>Eu não tinha nenhum discurso bonito nem nada que eu pudesse inventar na hora e fazer com que nos sentíssemos melhor. E meu estado de nervosismo era tão grande que acho que foi melhor não ter nem tentado. Nós já sabíamos tudo o que sentíamos. Já tínhamos feito tantas e tão intensas declarações que qualquer palavra fazia-se inútil e desnecessária e quase que podia estragar tudo. Havia coisas mais importantes para se preocupar. O peso da mochila nas minhas costas, o horário de embarque e a fome que não me deixava pensar em mais nada. Demos um abraço engasgado, um beijo desengonçado com um gosto de choro que não vem, mas que fica ali. Fui pra fila do controle. E por mais que o momento exigisse romantismo, o mais próximo disso que eu conseguia chegar era ao pensar nos corações de chocolate que tinham ficado no bolso do outro casaco&#8230;.</p>
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