Carol em Viterbo – Adendo

9 10 2009

Brasao da cidade

Brasao da cidade

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As minhas buscas genealógicas nao foram muito além das pesquisas nas pracas e museus. Alguns parentes vao perguntar se eu nao perguntei a nenhum nativo sobre o sobrenome… E antes que os leitores mais sensatos também perguntem, vamos esclarecer alguns pontos:

1 – Eu nao falo italiano além do suficiente pra comprar sorvete, embora ainda tropecando em nomes como Straciatella.

2 – Eu nao falo inglês sem que a cada dez palavras doze saiam em alemao.

3 – Os italianos nao falam inglês e mesmo que falem, nao falam alemao para entender a língua híbrida que surge quando eu tento falar.

4 – Eu nao aprendi línguagem de sinais suficiente para me comunicar sem que me achem louca.

Só nesses quatro itens podemos perceber sérios problemas de comunicacao. E se tais problemas se manifestam na simples compra de um sorvete, imagine em assuntos mais complexos como pesquisar a genealogia da minha família? E o que eu deveria perguntar? Se a pessoa conhece alguém que supostamente morava em Viterbo e que há dezenas, talvez centenas de anos se mudou ganhando o nome da cidade como sobrenome e acabou se procriando no Brasil, gerando entre vários descendentes uma menina curiosa que estava agora fazendo perguntas sem cabimento sobre sua ascendência? E mesmo que eu conseguisse expressar isso em alguma língua que a pessoa entendesse, o que vocês acham que ela iria responder? Que conhece? Outra coisa, pra quem eu deveria perguntar isso? Um assunto de tamanha importância deveria ser tratado no mínimo com o prefeito, que certamente tem o registro de cada pessoa que um dia morou na cidade, para onde se mudou, qual o sobrenome adquirido e todos os descendentes por ela fabricados, com os respectivos dados dos descendentes até a minha geracao. Claro. Mas como o prefeito devia estar ocupado demais com a festa da cidade que ocorreria em dois dias e todos os preparativos e pré-preparativos que isso implica, talvez nao fosse uma idéia tao boa. Entao, deveria abordar alguém na rua? Se o prefeito tem um livro com o registro genealógico de todos os habitantes da cidade, é claro que todos os cidadaos de Viterbo têm a obrigacao moral de sabê-lo de cor. Entao nao custa tentar…

Carol: Oi! [longa pausa para se lembrar como se diz boa tarde em italiano]Buona sera!

[Considerando a hipótese de que a pessoa abordada ache que vale a pena falar com alguém que diz boa noite quando o sol ainda está tao forte que a pessoa tem vontade de voltar para a sesta]

Pessoa abordada: Oi.

[Considerando a hipótese de que eu decorei o manual de conversacao de italiano nos segundos entre o Buona sera e o oi da pessoa abordada]

Carol: Eu me chamo Carol de Viterbo

Pessoa abordada: Valentina Rossi. Muito prazer.

Fim do diálogo.

[Considerando agora a hipótese de que a pessoa abordada considere no mínimo curioso o fato de o meu sobrenome ser o mesmo nome da cidade que ela mora]

Pessoa abordada: Seu sobrenome é Viterbo? Que interessante! Você sabe porque?

Carol: Nao.

Fim do diálogo

[Considerando agora a hipótese de que eu falo italiano fluentemente]

Carol: Boa tarde! Eu estou fazendo uma viagem em busca dos meus ancestrais e gostaria de saber mais sobre a origem do sobrenome Viterbo, que por acaso é o meu sobrenome. Eu tenho a teoria de que esse sobrenome pode ter tido origem quando um morador de Viterbo se mudou da cidade e passou por isso a ser conhecido pelo sobrenome “de Viterbo”. Isso pode ter acontecido há algumas dezenas, talvez centenas de anos. Você sabe de alguma família que se mudou da cidade nessa época e provavelmente depois para o Brasil, onde teve vários descendentes, entre eles eu?

Pessoa abordada: Nao.

Fim do diálogo.

[Considerando a hipótese de que a cidade de Viterbo é realmente mágica e que se abra um portal de luz no momento em que eu piso na cidade, fazendo com que todas as minhas vontades se realizem]

Pessoa abordada: Você se chama Viterbo? Mas era exatamente quem eu estava procurando! Eu sou pesquisador e passo o meu tempo livre tracando a árvore genealógica das famílias mais antigas da cidade e acabei descobrindo um antigo morador que se mudou daqui há muito muito tempo e passou a ser conhecido pelo sobrenome de Viterbo. Ele se mudou para a cidade de Sabará, no Brasil, na época da corrida do ouro em Minas Gerais e conseguiu uma boa fortuna, além de muitos filhos. Anos mais tarde ele largou a família, pegou todo o ouro que tinha conseguido e voltou para Viterbo, o que fez com que a família no Brasil nunca mais mencionasse qualquer ascendência italiana, apesar do sobrenome que foi mantido. Em Viterbo ele construiu uma casa, mas nao gerou mais descendentes. No fim da vida, amargurado com sua solidao, ele escreveu um testamento deixando toda sua fortuna enterrada na casa para o primeiro descendente com esse sobrenome que visitasse a sua cidade. E eu passei toda a minha vida esperando que alguém com essa descricao aparecesse na cidade. Finalmente posso me livrar de todo o ouro que foi mantido sob minha responsabilidade! E nao é só isso! Por você ser descendente de um italiano em 53° geracao, recebe ainda o título de cidada italiana, além da chave da cidade!

Fim do sonho.

Mas, voltando pra realidade e considerando a hipótese de que o portal de luz nao foi aberto e de que eu nao conseguiria passar do buona sera com meu italiano, que acabaria tentando em inglês e alemao, com resultados ainda mais desastrosos, que faria até mímicas para me fazer entender, pegando por fim meu passaporte e apontando o meu nome, o mais provável de acontecer, caso a pessoa nao fugisse com medo de mim antes de entender, seria o seguinte.

Pessoa abordada: Ah, sim, seu sobrenome é Viterbo. Meus parabéns.

Fim do diálogo.

Portanto, considerando que ninguém precisa enfiar o dedo na tomada pra saber que dá choque e que focinho de porco nao é tomada, me recuso a enfiar o dedo em qualquer nariz de porco pra ter certeza da meleca que seria caso eu tentasse.

Fim do post.

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5 responses

9 10 2009
Carol em Viterbo « Enquanto isso, na terra da batata…

[…] « Receita para fazer um bolo de cenoura na Terra da Batata Carol em Viterbo – Adendo […]

14 10 2009
Nat

Tudo mudou!!!
Levei o maior susto…
mas gostei de ver q tem fotos! :D
beijoos

15 10 2009
Genim

Hehehe
Nossa, muito legal conhecer a cidade que está em seu nome ou que, provavelmente, seja uma de suas origens.
A hipótese de “olhou o nome no mapa e gostou” perderia muito a graça…
Visual ficou bem legal!
bjs

20 05 2011
edna

Na cidade de Feira de Santana-Ba, tem uma família com o sobrenome Viterbo, conheço o filho de Venceslau Viterbo de Souza, o qual não tem o sobrenome pqe ficou com Souza + o sobrenome da mãe, nem sei se o Venceslau ainda vive, quando vi o seu nome lembrei que já conhecia de algum lugar.

8 04 2016
jacy Ferreira

Estou procurando pelos filhos de Venceslau Viterbo de Souza em Feira de Santana _ba,encontrei o comentario da Edna postado em 20/05/2011,peco encarecidamente a voce caril que entre em contato com a Edna para que eu possa conversar com ela, moro em feira de santana e. cconvivo com um dos filhos dele,o qual deseja muito reencontrar os irmaos,o venceslau ja eh falecido. Meu email jacyf14@gmail.com _facebook Jacy Ferreira,cel_75982709272,muito obrigada

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