Natal Branco

24 12 2009

Sempre quis ter o gostinho de ter um “Natal branco”, como dizem os alemães. Como a gente vê nos filmes. Um tapete branquinho e macio se estendendo no jardim onde a gente pode modelar as formas mais variadas possíveis. A sensação de estar quentinho em casa, a árvore acesa, as ruas escuras, e os flocos de neve caindo mansinho lá fora. Um Natal onde o Papai Noel não precisa inventar desculpas pra andar tão agasalhado. E que a árvore é um pinheiro de verdade, buscado na floresta. Tudo parece fazer mais sentido assim.

Esse ano, porém, o clima de Natal veio um pouco antes do esperado. Há uma semana, as ruas estavam branquinhas, as crianças saíram no quintal e bombardeavam os adultos desavisados com a munição branca e gelada, os adultos se reuniram na praça para tomar vinho quente com canela, as famílias assaram mais biscoitos de natal para deixarem as casas ainda mais aconchegantes. E a esperança de todo mundo era que essa semana se prolongasse por mais alguns dias, e que a troca de presentes, a ceia, as músicas ao piano pudessem ser coroada por alguns floquinhos de neve dançando pela janela.

Mas não foi possível. Alguns dias depois dos dias mais frios da minha vida, que chegaram a cerca de -15ºC, o sol voltou, o vento parou, o tempo esquentou e a neve, ah! a neve… não resistiu ao calor repentino de +9ºC. Quase verão.

Agora, no Natal, está frio, sim. Mas da neve só ficaram algumas poças rasas, alguma sujeira nos sapatos e a vontade de um Natal branquinho, que ainda não passou.

Mas, já que eu não posso ter neve agora, pelo menos que meus leitores tenham. Por isso os floquinhos caindo daí de cima.

Então, aproveito o clima aconchegante pra desejar a vocês um ótimo Natal (e um bom ano novo também, mas eu acho que escrevo antes disso).





22 12 2009

Perdida no meio dos preparativos de Natal… Assunto pra escrever não falta. O problema é tempo mesmo.

Desejo a vocês todos, leitores e não leitores, família e não família, amigos e não amigos (porque inimigos eu acho que não tenho – ou ao menos espero) um feliz Natal e um ano novo repleto de realizações e muitas, muitas novas batatas.

Abraço,

Carol





Surpresas da noite

1 12 2009

Hoje* aconteceu uma coisa completamente inesperada.

*E claro que hoje nesse texto significa, assim como no da nuvem, que foi há muito tempo, mas só agora eu consegui digitar o texto escrito há mais de um mês. Mas vamos lá contar o que aconteceu.

Um amigo me pediu o cesto da minha bicicleta emprestado. A bicicleta dele não tem cesto nem garupa pra pôr o cesto, porque “isso é coisa de menina”. Apesar de a metade das bicicletas aqui, até de meninos, terem cesto. E acho realmente prático ter um cesto, seja pra colocar a bolsa, pra fazer compras ou pros outros jogarem lixo dentro. E mesmo que a última finalidade não seja nada desejada, todas as outras compensam essa desvantagem. Meu amigo reconhece todas essas vantagens. Mas aparentemente elas não são suficientes para convencê-lo a deformar a imagem “máscula” de sua bicicleta (ainda que ela seja vermelha com acessórios combinando). Tudo pela aparência. E como não adiantaria muito eu dar o cesto pra ele, já que ele não teria lugar para colocá-lo na bicicleta sem garupa, fui com ele fazer compras. Bom também, para assegurar que ele não teria só cenouras em casa quando resolvêssemos cozinhar outra vez.

O único supermercado que fica aberto depois das 10 fica dentro de uma espécie de shopping. Eu queria entrar pelo fundos, que era mais perto, mas ele disse que podia estar fechado. Não estava, dava pra ver. Mas fomos pela entrada principal. Questão de costume. O chato de usar a entrada principal àquela hora é que ela fica rodeada de mendigos bêbados, adolescentes bêbados, turcos bêbados e toda a sorte de seres que recorrem ao único lugar da cidade onde é vendido álcool na versão engradado até meia-noite. Tranquei a bicicleta depressa, prendendo a respiração. Era o máximo que eu podia contra a nuvem de cigarro que envolvia o ambiente. E tentando desviar de uma segunda nuvem que vinha em minha direção, entrei correndo no supermercado, seguida por meu amigo. Meu amigo aproveitava a oportunidade e comprava mais do que precisava. mais do que ele conseguiria carregar sozinho. Depois de comprar mais cenouras, passar cerca de uma hora só resolvendo o que levar,  enfrentar no mínimo mais meia hora de fila no único caixa aberto, dividir as compras entre mochila do amigo e a sacola que iria no cesto, nos preparamos para mais uma lufada de cigarro na cara.

Já tinha até levantado a sacola para colocar no cesto quando percebi:

– Cadê o cesto?

Sabe aqueles momentos que você acha que não está enxergando direito? O cesto devia estar lá, o problema era com meus olhos.

– Como assim, cadê o cesto?

– O cesto da minha bicicleta. Sumiu.

– Tem certeza?

– Claro que eu tenho certeza! Eu estou vendo a bicicleta, não estou vendo o cesto, que devia estar onde eu deixei. Logo, o cesto sumiu.

– Que merda!

Eu que devia dizer isso. Tinha ido lá só por causa do cesto pra ficar justamente sem ele. Ironia do destino? Olhei para os lados e vi alguns bêbados remanescentes. Até procurei por algum sinal dele, talvez abandonado em algum canto escuro da rua, depois de perceberem que ele estava estragado.

No Brasil eles teriam dado um jeito de levar a bicicleta toda. Talvez o cesto (ou eu mesma, considerando o trânsito de BH) não durasse um dia. Mas na Alemanha, onde normalmente pode-se deixar até a bicicleta inteira sem cadeado, foi realmente inesperado, mas (só pra rimar) roubaram meu cesto quebrado.

O amigo disse que deve ter sido um dos bebuns adolescentes: “Olha, que legal! Agora temos lugar pra pôr as bebidas”. A maior sacanagem foi o lugar onde aconteceu: na porta de um supermercado, justamente quando as pessoas precisam do bendito cesto, que mesmo quebrado costuma quebrar um bom galho.

Resultado da brincadeira: Tivemos que nos virar com sacolas penduradas no guidão ou no pescoço, desequilibrando até em casa. E eu me virei sem o cesto por bastante tempo, até a semana passada, quando comprei um maior do que o outro e um bom cadeado. Por via das dúvidas, agora eu sempre tranco.