Despedida

6 02 2010

O que eu menos queria era uma briga com minha família minutos antes de ir embora. E me surpreendi com minha Gast abrindo as gavetas, apontando o que era meu, o que eu deveria devolver ou jogar fora. Ela ficou nervosa por eu não ter aproveitado o tempo que ela me dera para arrumar as malas e o quarto e ter em vez disso passado todo o tempo com ele, tentando fazer o máximo possível das coisas da lista de coisas a serem feitas antes de voltar pro Brasil. Ainda faltam muitas… Mas como eu já disse pra ele, se a gente fizesse tudo de uma vez, eu não precisaria voltar. Estava com medo de que minha Gast desistisse de me levar ao aeroporto. Ou desistisse de me dar o dinheiro prometido. Se é que ela ainda se lembrava. Mas com uma hora de atraso, ela já estava mais calma. Achei até bom, no fim das contas. Pude ver as crianças de novo, me despedir delas. Ganhei até um beijinho do bebê. As crianças não foram para o aeroporto. Ela achava que não seria tão interessante pra elas ficar duas horas sentadas no carro. E não seria exatamente a coisa mais divertida do mundo despedir da au-pair no aeroporto. Talvez melhor assim. Passamos na casa dele e deixamos metade da bagagem que estava no carro. Aproveitamos a viagem para conversar um pouco de tudo. Perguntei algumas coisas que sempre quis perguntar. Era a última chance. Eu não estava triste. Já tinha chorado demais há algumas semanas e chegara a um ponto de aceitação. Afinal, não seria tão ruim assim voltar pro Brasil. Chegando ao aeroporto, ela me entregou o dinheiro apressada, como se não quisesse que ele visse. Até mais do que o prometido. Eu estava salva. Desembarcamos as malas, alojamos no carrinho. Ele ficaria até a hora do vôo. Ela já voltaria para casa. E chegou a hora da despedida. Apesar de todas as controvérsias ao longo desse ano que vivi com eles e das tantas vezes em que ela foi injusta comigo, sempre gostei muito dela. Não como patroa. Mas como amiga. Gostava de conversar com ela, contar dasos, pedir conselhos. E acho que ela também gostava desses momentos. Mas por várias razões, sempre mantive um certo distanciamento emocional. E não estava preparada para o que aconteceu. Ela me abraçou, me disse que sempre queria que eu ficasse com eles por mais tempo, que sempre teve esperanças de que eu prolongasse o meu visto e desatou a chorar. Acho que foi a primeira vez que eu a vi chorando. Sempre foi tão controlada, tão decidida. Mas não conseguiu resistir à despedida. Eu não chorei. Mas me senti incrivelmente grata por aquelas lágrimas. E sabia tabém que a despedida mais difícil ainda estava por vir.

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2 responses

6 02 2010
Fabricia

Estou adorando os textos sobre sua despedida.. não pare de postar! :)

8 02 2010
Genim

Nossa… Para mim tinha acabado os posts… Quando fui conferir hoje, pensei: “nossa, será que a Carol escreveu algo mais??? acho que não…”
A despedida é complicado… e a readpatação nem se fala…
Mescla uma saudade da vida completamente diferente que levávamos com o retorno da “antiga vida”.
Tb tô adorando!
Bjs

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