Embarcando

8 02 2010

Se o mundo fosse um lugar perfeito, aconteceria o seguinte: Eu chegaria no aeroporto, iria para a loja da Tam pegar o bilhete com a nova data, fazia o check-in, tinha tempo de tomar um lanche ou qualquer coisa antes de embarcar, eu que não tinha comido quase nada o dia todo.

Mas como nem tudo sai como a gente quer, pra começar os problemas, as filas não estavam nada convidativas. Eu tinha que ainda pegar o meu novo ticket, porque eu remarquei a passagem, o que acrescentaria uma fila além da do check-in. Fui lá, paguei a taxa e entrei na outra fila. Ele podia ter ajudado, ficando na fila do check-in pra mim, mas não quis. E depois de uns bons minutos em pé, peguei o ticket e fui fazer o check-in. Eu, que tinha pesado as malas antes em casa, sabia que estava passando uns dois quilos em cada mala do peso permitido. Mas, como já tinha ouvido muitas histórias de que às vezes eles não falam nada, resolvi arriscar. A dica era sempre: mulher faz check-in com homem, homem faz check-in com mulher. E parece funcionar. Mas como as filas nem sempre seguem padrões estabelecidos pelos desejos humanos, respeitando leis universais e astrológicas próprias e como o Sol estava em oposição a Mercúrio e brigado com o deus protetor das au-pairs desamparadas, fui atendida por uma mulher. Não é tão ruim assim, pensei, me esforçando para fazer o olhar mais simpático e amigável que eu consegui.

Mas antes mesmo que eu pudesse colocar as malas na balança, comecei a ter problemas com o ticket. Ela olhou o papel e disse: você ainda tem que pagar a taxa de remarcação. E não adiantou eu falar que tinha acabado de fazer isso. Teria que voltar lá na outra fila e só depois fazer o check-in. Eu achei, que ela estaria se referindo a uma outra taxa que alguém da Tam me falou em uma das vezes que eu liguei e que nunca mais tinha sido mencionada. Além da taxa de remarcação eu teria que pagar uma outra taxa de reemissão do bilhete. Mas como há alguns meses eles inventaram uma história de que eu nem podia remarcar a passagem para fevereiro, o que mudava sempre que eu ligava novamente, era de se desconfiar. E lá na outra fila, perguntei sobre a tal taxa. A mulher olhou o bilhete e percebeu que em vez de ter colocado “taxa de remarcação”, colocou “excesso de bagagem”. O que ela fez? Riscou o “excesso de bagagem”, é, de caneta mesmo, e escreveu o certo por cima. E voltei lá no check-in com o bilhete rasurado. Nunca imaginei que fosse tão complicado trocar a data de uma passagem. A coitada da atendente precisou da ajuda de toda a equipe de atendentes e de todos os supervisores e gerentes para conseguir fazer o meu check-in. E depois de mais de uma hora nessas idas e vindas, quando eu finalmente pude colocar as malas na esteira, o que ela me diz?

— Está com excesso de peso. Tem que tirar.

Na verdade não precisava tirar. Eu poderia também pagar uma taxa de excesso de bagagem e ir feliz com todos os meus quilos a mais. Mas ela não me deu essa opção. Talvez tenha olhado pra minha cara de farofeira com a quantidade de sacolas e bolsas de bagagem de mão e chegado à conclusão de que eu não teria dinheiro para pagar a taxa. E não tinha mesmo. E mesmo se tivesse não pagaria. E fui lá pro canto da fila desempacotar minha mala. O bom foi que pensando nessa possibilidade, eu já tinha empacotado mais ou menos de um jeito em que ficava fácil tirar as coisas mais pesadas. Eu disse mais ou menos. Isso porque depois de ter tirado o que eu sabia que era o que estava passando do peso, ele veio, com sua mente matemática e precisa: isso aqui não tem nem 900 gramas. E dizia que eu tinha que tirar mais e mais coisas e que era mais fácil colocar depois do que ter que tirar de novo. Eu que já tinha deixado pra trás ou jogado fora mais de dois terços das minhas coisas, quase entrei em desespero. Algumas coisas não podiam ser tiradas.

E foi no meio de uma dessas discussões se iríamos ou não tirar mais coisas que apareceu uma mulher, provavelmente parente da moça do check-in pela simpatia, mandando a gente sair dali, que não era lugar para arrumar malas. Mas depois de explicada a situação, ela até mostrou umas balanças onde podíamos pesar as malas e evitar um bocado de trabalho. E fiquei feliz de ver que a mente matemática dele não era tão perfeita assim, ao perceber que tínhamos tirado das malas muito mais do que o necessário. Que alegria poder empacotar de novo coisas que eu já até tinha me conformado em abandonar. Não tudo, mas pelo menos uma parte delas. E fui feliz pro check-in, fazendo uma anotação mental para comprar cosméticos assim que chegasse ao Brasil.

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14 05 2014
Viagens pelo mundo com Cris Wedel

Adorei o blog, já estou seguido, aproveite e faça uma visita no meu também! Moro na Alemanha e escrevo sobre minhas viagens pelo mundo. ! Espero que goste! :)
http://cristianewedel.wordpress.com/

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