Micro-biografia


Dizem que comecei a falar com um ano de idade. Já escolhia as canções de ninar e descrevia o modo como deveria ser feito, embora o processo durasse invariavelmente no mínimo uma hora – revezando entre todos os membros da família. Com três anos já perguntava o nome de cada visita que aparecia na minha casa e o escrevia numa folha de papel. Lembro de ter sido mais ou menos com 8 que eu comecei o meu primeiro diário. Foi aos 11 que percebi pela primeira vez que as pessoas gostavam do que eu escrevia. Minha família perguntava de onde eu copiara os textos. E minhas redações, absolutamente originais, começaram a ser lidas na sala de aula. Descobri com certo prazer os sorrisos de surpresa e admiração em alguns ouvintes. Virei a escritora da turma. Das turmas. Elogiada por professores. Escrevia por puro prazer, para mim mesma ou quando algum dever de casa o mandava. Lá pelos 16 descobri que eu podia escrever poemas para presentear. Poemas como cartas, textos que eram declarações de amor e que floriam minha adolescência, ainda que a maioria não saísse das páginas dos meus cadernos. Mas foi somente aos 22 que eu descobri que o que eu escrevia não precisava ficar escondido em algum canto do guarda-roupa. Eu poderia presentear não só uma, mas muitas pessoas, de uma só vez, o mundo todo, se eu assim o quisesse. E foi dessa idéia, pretensiosa ou não, que surgiu isso aqui.

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