Jornada para casa

17 02 2010

Não tinha lugar na janela. Não era tão ruim assim, porque a viagem era à noite e não daria para ver paisagens de qualquer forma. O problema é que a janela sempre ajuda no meu sono. Mas ali, no meio do avião, com gente passando o tempo todo ao meu lado, não conseguiria dormir. E resolvi usar as opções disponíveis. Os filmes. Como na viagem de ida, tinha muitas opções. Metade deles eu já tinha visto, outros não eram do meu tipo, mas ainda sobravam uns quatro que eu poderia assistir. E eu assisti. Todos. Ou quase. Até tentei dormir no intervalo entre um e outro. Mas não era exatamente possível, sem o apoio reconfortante da janela. Os dois bancos ao lado estavam vazios e eu e o passageiro na outra ponta firmamos um acordo tácito, que dividia explicitamente os bancos desocupados entre os dois ocupantes: do braço da poltrona pra cá era o meu território e do braço pra lá, o dele.  Ele se enroscou como pôde já depois do primeiro filme. Pernas pra lá, cobertor, travesseiro e parecia satisfeito com o espaço inesperado. Eu tentei me esticar, me encolher, caber de alguma forma confortável nas duas poltronas. Mas ainda que eu tivesse mais espaço que de costume, estava longe de dormir a sono solto como o companheiro ao lado. Eu virava pra um lado e pro outro, tentava todas as posições possíveis nos centímetros de mobilidade que me restavam, tentava todas as técnicas conhecidas e inventadas, mas o máximo que eu conseguia era descansar um pouco os olhos para assistir o próximo filme. E assim foi até que acabaram os filmes. Eu já tinha assistido três. E como ainda não conseguia dormir, tive que apelar pra uma série de tv. Eu já conhecia The Big Bang Theory, mas até o momento só tinha assistido em inglês. E por mais que eu finja saber inglês, tenho que adimitir que quando a gente entende a piada fica muito mais engraçado. E foi nesse momento que me tornei fã incondicional dessa série. Mas era só um episódio e não resolvia o meu problema de insônia e de falta do que fazer nas próximas horas de vôo. E eu não queria jogar paciência ou ouvir música. Passei a lista de filmes novamente, tentando selecionar um mais assistível que os outros ou um bom o suficiente para ser assistido novamente. Foi quando um me chamou a atenção: Star Trek. Eu não conhecia. Era na verdade o tipo de coisa de que ele gostava e eu normalmente não chegava perto. Ou até chegava. Não posso também bancar a metida-que-acha-que-isso-é-coisa-de-homem-que-não-teve-infância, porque não é verdade. Na verdade seria algo como o que eu chamo de síndrome Star Wars. Nunca assisti, então falo que não gosto. Eu devo ser a única pessoa no mundo que nunca assistiu Star Wars. E sempre que as conversas nostálgicas que me fazem sentir com 50 anos de idade desviam dos costumeiros Caverna do Dragão e Cavaleiro do Zodíaco – que eu adoro – para temas mais complexos como Star Wars, Jornada nas Estrelas e uma porção de nomes parecidos que sempre me confundem, tenho que ir ao banheiro às pressas ou inventar uma desculpa qualquer antes de ser crucificada por nunca ter assistido o tal filme. Ou os filmes, o que torna a coisa toda ainda pior. Se eu for assistir vou ter que ficar uma semana inteira só por conta. Sem saber por onde começar, com essa confusão cronológica que nem os fãs entendem, acabo não assistindo (mas se você leitor se identificou com o que eu escrevi e topar uma maratona de Star Wars – ou ainda que seja um só filme – pode me chamar que eu animo). Além disso, como recém-fã de The Big Bang Theory, me identificava incrivelmente com a Penny quando não entendia uma das piadas do universo nerd, que incluem todos os Star-flimes, séries, histórias em quadrinhos e qualquer outra coisa que tenha relação direta ou indireta com esses mundos.

Isso tudo pra dizer que eu resolvi assistir Star Trek. O filme é realmente bom. Não é um filme de ação qualquer. Ele pertence a um universo próprio em que as coisas mais absurdas tornam-se possíveis. Tudo isso sem perder a carga de adrenalina inerente aos filmes de ação. E ainda pior. Nos filmes que meu irmão assiste, por exemplo, antes de você começar a assistir, já sabe que vai vencer o mocinho ou o bandido, caso ele seja o mocinho do filme, passando por muitas explosões, granadas, tiros e toda a tecnologia disponível da época. No Star Trek, é mais ou menos a mema coisa, com uma grande ênfase na tecnologia disponível. Mas a diferença é que você não tem muita certeza do que vai acontecer – ou pelo menos eu, que nunca tinha visto, não tinha. A trama se desenrola em uma linha de tempo alternativa que te leva a desejar não só saber o que vai acontecer, mas entender o que está acontecendo, o que aparentemente só é esclarecido no final, elevando as expectativas do filme a um expoente até então desconhecido pra mim. E foi em um desses momentos de adrenalina mais intensa que eu percebi que talvez não desse tempo de terminar o filme. E eu desejei muito que o vôo durasse algumas horas a mais, quando o James (e eu não consigo lembrar o sobrenome dele) se tornou capitão e eu tive que interromper o filme para assistir a uma programação obrigatória e inútil da Tam sobre os pontos turísticos de São Paulo. Comecei a ficar com raiva de ter assistido a série do Big Bang em vez de ter começado o filme antes. Mas refleti que se o Big Bang me ajudou a tomar a decisão de assistir Star Trek, não assistir à série geraria um paradoxo temporal, o que me levaria talvez  a não assistir Star Trek, criando um futuro desconhecido e alternativo que influenciaria inclusive o meu modo de vida agora, já que boa parte do meu tempo é dedicado à série. E achando que as últimas horas já tinham realidades alternativas suficientes pra uma vida inteira – ou mais, dependendo do ponto de vista-, resolvi só ficar com raiva da Tam mesmo.

E você leitor que não entendeu lhufas deste post, não precisa se preocupar com minha sanidade mental. Essa foi só uma tentativa de ilustrar como eu estava quando cheguei ao aeroporto de São Paulo, sem dormir, sem terminar de ver o filme, despenteada e carregando todos os pacotes e bagagens de algumas horas atrás.





Cruzando o Atlântico

6 02 2009

Talvez alguns me achem boba por falar isso, mas caramba! É muito bom andar de aviao!! É muito legal ver a cidade ficando pequenininha, ver os formatos das nuvens lá em cima, assistir a um pôr do sol lá do alto. Como Sao Paulo fica mais ou menos a oeste de BH, o pôr do sol durou muito mais tempo do que o normal, muito legal. O conforto também, achei fantástico. Fiquei impressionada!! A conexao até Sao Paulo até que nao foi tao boa assim, em termos de conforto.  Pensei: Realmente, um ônibus é muito mais confortável. A comida também nao foi la grande coisa: um pao quente com um presunto no meio. Pensei: Porque que eu fui esquecer dessa comida especial, meu deus, já pensando em como seria até Frankfurt. Mas no voo pra Frankfurt… Apesar dos atrasos e idas e vindas do aeroporto, nao tenho nada a reclamar, de verdade. Nao sei se é por falta de experiência, por nao ter nenhuma base de comparacao, mas achei até que tinham alterado a classe! Porque aquilo nao podia ser classe economica. A poltrona era ótima, confortável e atrás de cada uma, ou seja, na frente de cada passageiro, tinha um monitor individual, com diversas opcoes de filmes, seriados de tv, jogos, musica para escolher durante a viagem. E naqueles bolsinhos de trás da poltrona tinha um fone de ouvido que era brinde pra voce ouvir os filmes, etc. Tinha uma opcao no monitor tambem com um mapa, com a localizacao do aviao, velocidade, etc e até com imagens de duas cameras externas do aviao, uma na frente e a outra embaixo. Pena que a de baixo estava desligada, ou daria pra ver melhor as cidades… Além disso, quando chegamos passaram aeromocas sorridentes dando um pacotinho para cada passageiro. Um roxo para as mulheres e verde para os homens. Era uma necessaire com escova de dentes, pasta, um pente dobravel, tampoes de ouvido e um par de meias :-) Achei demais. Foi aí que eu perguntei pro casal simpatico do lado (eu tomei cuidado com eles, Natty! hahahaah) se aquela classe era econômica mesmo e eles na maior naturalidade: é, é assim mesmo… Passado algum tempo chega a hora do jantar. Massa ou carne? Massa. E a aeromoca já te serve a bandejinha com tudo, salada, paozinho, sobremesa e tchamtchamtchamtcham! Uma massa sem carne!! E muito boa por sinal. Até tirei foto, tava muito bonito o jantar. E gostoso também. :-P O café da manha também foi ótimo e o servico de bordo e tudo o mais.  Nao sei se é a companhia aérea, mas realmente nao entendi como que as pessoas podem reclamar tanto da comida e do servico, etc. Eu fui de Tam (tam-tam-tam-tam) e me falaram que era melhor que algumas outras, mas eu realmente nao tenho base de comparacao. Aí seguem algumas fotos e vídeos do vôo:





No portao de embarque

5 02 2009

Marinheira de primeira viagem indo sozinha pra Alemanha… Nunca tinha saído do Brasil, nunca tinha viajado de aviao. Acho que era a única da família. Pra garantir que ia dar tudo certo, a família tinha que me acompanhar, é claro. Tá bom, pra despedir também. :-) Mas acho que os conselhos e preparativos nao foram suficientes… Pra juntar à lista de coisas que esqueci, nao fiz o pedido antecipado de “comida especial”, como eles chamam. Achei que era no check-in que fazia isso, que eles deviam ter um estoque de comida vegetariana junto com as outras opcoes do cardapio, afinal, o número de vegetarianos está crescendo a cada dia (Até a Juliana Paes virou vegetariana, por causa da novela, depois de aprender a falar Namastê! Mas isso é outra história (pra outro blog talvez (outro blog??? A Carol nao queria fazer nem esse, acabou fazendo um em cada domínio e agora quer criar um sobre a Juliana Paes na novela que esqueci o nome?? (hum… esquece!)))) Bem, apesar da influencia indiana no Brasil, da fantástica habilidade linguistica da Juliana Paes  e do aquecimento global, a “comida especial” tem que ser pedida com três dias de antecedência. Fazer o quê e direto pra sala de embarque. Lá eu descobri (na verdade eu já até sabia, mas foi estupidez minha) que todos os líquidos (e pastas, também. Até pasta de dentes. Vê se pode) têm que ser colocados num saco plastico transparente. Bem eu nao tinha nenhum saco, nem transparente, nem de outra cor e parece que todos os sacos do aeroporto tinham desaparecido e que eu deveria ter recebido um do funcionário do check-in. O mesmo que me disse que nao tinha problema viajar com o liquido da lente de contato e nao falou nada sobre sacos. E na sala de embarque a mulher com voz de robo me dizendo que eu teria que despachar o liquido da lente de contato porque ele tinha 120 ml e o máximo é 100. (mas porque raios entao no site da Tam fala que é 120?????) E olha que tava no finzinho, nao devia ter nem 30 ml ali. Ai eu quase chorei, deu vontade de voltar, de chamar minha mae, mas ja tinha todo mundo ido embora. Ai eu olhei bem pra mulher robo e falei: “Ô moca! Eu nunca andei de aviao antes, eu num sei o que fazer, me ajuda!! “Acho que ela ficou com pena da menina da roca viajando sozinha e do nada, tcham tcham tcham tcham! Eis que brota um saco plastico na sala de embarque! E eu pude ir feliz com  meus 120ml de liquido da lente, toda a maquiagem que até hoje eu nao usei e todos os vidrinhos de perfume que nao sei porque foram parar na bagagem de mao (e que também nao foram usados).

Feliz até chegar em Sao Paulo, na outra °sala de embarque” (na verdade nao sei como se chama isso. Eu ia falar alfandega, mas acho que alfandega é só quando você entra no país. Mas é aquele lugar onde eles fazem raio-x da bagagem de mao). Nao sei pra que fazer isso duas vezes. Mas la fui eu. Dessa vez com os liquidos no saquinho, passei a bagagem pelo raio-x e adivinhem! Nao é que encontram mais coisas ilegais? Nao, eu nao estava transportando drogas. Mas tinha, junto com meus artesanatos e presentes para a família, uma tesourinha, dessas sem ponta, de crianca usar mesmo. E eles acharam que era um item perigoso demais e que talvez eu estivesse planejando assassinar toda a tripulacao e os passageiros com a tesoura que nem papel às vezes corta. Tinha um recipiente quadrado transparente enorme lá, cheio de tesouras, ferramentas e afins. Se vendesse pro ferro velho ia dar uma grana boa. A funcionária dessa vez tinha a voz muito mais de robô do que a outra e disse: ela-tem-mais-de-seis-centimetros-e-deve-ser-descartada. (só nunca vi uma tesoura infantil, nem de plastico, com menos de seis centimetros) Achei que nao ia adiantar dessa vez eu falar com ela que foi o meu namorado que me deu a tesoura (e foi mesmo) e que ela é muito importante pra mim e resolvi seguir em frente.

Alguma dificuldade no aeroporto de Sao Paulo pra achar o portao de embarque. Depois de descer, subir escadas, andar bastante acho o portao. Achei estranho que nao tinha ninguem la, ninguem esperando, nenhum aviao e so faltava uma meia hora pro embarque. Pergunto pra uma moca (de uma clinica de massagem, foi a unica que achei por la) e ela diz: Nao, é assim mesmo, fica sentadinha lá e espera. Bom eu esperei. E esperei. E continuava vazio. Faltava 20 minutos e nada. Aí eu ouvi uma moca perto de mim falando do voo tal pra Frankfurt e descobri que o portao de embarque tinha sido alterado e que eles nao se deram ao trabalho de avisar. Como minha experiencia com isso na época era igual com bonecos de neve :-) quase que fiquei pra trás. Mas deu tudo certo: o voo estava atrasado uma hora mais ou menos, deu pra achar o portao de embarque, fazer um lanche (cada pao de queijo R$3,00!) e passear pra lá e pra cá no aeroporto. Foi no meio de um desses passeios que um moco me encontra no corredor,  e pergunta se o meu voo é pra frankfurt. É, mas como está atrasado, resolvi dar umas voltas. Pois é, é que mudou o horário de novo e já estao chamando pro embarque. (alguem me explica porque nao usam o alto-falante???) Enfim, tudo certo e lá vamos nós. Acho que se alguém pensava que  eu nao devia ir, que era o meu destino ficar no Brasil ou sei lá o que (teve gente que rezou pra eu nao ir ô.ô) acho que pode mudar de idéia agora… A macumba quase pegou, mas enfim, eu consegui! =D